28.11.13

Laços de Família

Celina saiu com o namorado. Dormiu fora. A filha com um filhinho em casa. A outra filha sempre com uma dor de cabeça e um silêncio de morrer. O namorado daria a Celina um dinheiro, uma forma de pensão.

Espírito Santo de Débora

Ela concebeu de tardezinha, quando chegou da escola. A mãe não acreditava, o pai não cabia em si. Débora disse não sentir arrependimento, porque Jesus entrou coberto por um edredom estampado e a abraçou, um abraço que pareceu penetrá-la, mas era penetração de luz... Na sétima série, ela iria parar de estudar; o pai, sumir no mundo; a mãe, afundar-se em rezas, o menino nascer antes de dezembro.

Mães

Parou de ler, ficou pensando. O cigarro, as palavras. Fumava desde a adolescência. Bateram no portão. Não, não era ninguém. A mãe falava que escrever e fumar estavam lhe tirando a vida. Latidos esparsos. O silêncio ganindo. Nenhum canto de galo. Onde estavam os galos? Num conto de Garcia Màrquez?, num poema de João Cabral? Antes havia os cheiros de doces, os abacateiros, laranjeiras, pessoas de verdade chamavam nos portões e entravam, as mães cuidavam dos quintais. As palavras, os cigarros. Bateram no portão de novo. Foi ver quem era.